segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Personalidades #13 - FRANCISCO COSTA ROCHA


Imagem: Reprodução




Quem era?

Francisco Costa Rocha, o Chico Picadinho, era o filho indesejado de Seu Francisco com uma amante. Ele já a havia obrigado a "tirar" outros dois filhos, mas dessa vez ela não aceitou a imposição e teve a criança. 

Quando ele tinha quatro anos, sua mãe fora acometida por uma doença pulmonar e a família estava arruinada financeiramente. Passou então a morar com um casal de empregados de seu pai em um sítio bastante isolado e cercado por animais. Lá era chamado de endiabrado e de encapetado, pois matava gatos enforcando-os ou afogando-os em vasos sanitários para testar se realmente tinham sete vidas. Aos seis anos, voltou a morar com a mãe. Ela fazia de tudo para sustentá-los: trabalhava como cabeleireira e também como costureira. Mas boa parte do dinheiro vinha de casos que mantinha com homens bem sucedidos financeiramente e, em sua maioria, casados.

Nancy era mais amiga de Francisco do que mãe. Por isso tinha muita dificuldade em discipliná-lo quando ele aprontava, coisa que fazia o tempo todo: invocava o diabo, botava fogo nas coisas, perseguia assombrações e pesquisava sobre vampiros. Estava sempre na rua.

Na escola de padres onde estudou estava sempre metido em brigas, era desatendo e indisciplinado. Ao repetir a quarta série, foi convidado a se retirar da escola, passando a estudar em um colégio estadual. Lá, cursou a quarta e quinta séries, além de prestar exames para o Colégio Americano, conseguindo a aprovação. Em certo momento, sob influência de um tio, alegou que era ateu, passando a ter um relacionamento ainda mais complicado com professores e colegas e perdendo a namorada. Antes do término do ano letivo, largou os estudos.

Durante a sua adolescência, tentou arrumar trabalho, mas nunca permanecia por muito tempo neles, uma vez que não era acostumado a figuras de autoridade. Andava com meninos maiores e mais velhos que, muitas vezes o obrigavam a fazer troca de carinhos sexuais.

Quando tinha 15 anos foi impedido pela mãe que se mudasse para Santa Catarina, onde realizaria seu sonho de se tornar marinheiro. Um ano depois mudou-se para o Rio de Janeiro com ela e com o padrasto. Aos 18 anos alistou-se na Aeronáutica pois tinha um novo sonho: se tornar paraquedista. Foi transferido, a seu pedido, para São Paulo, onde conheceu um texano e se tornaram amigos. Depois que o americano foi embora, Francisco pretendia seguir carreira de mecânico de aviação, mas novamente teve problemas devido à falta de disciplina. Após, tentou entrar para a Polícia Militar, mas não conseguiu.

Passou a trabalhar então como representante de vendas. Nesta época, adquiriu o vício em álcool, que começou a atrapalhar em seu trabalho. Logo foi demitido e partiu para a carreira de corretor de imóveis, sem horário fixo. Com tempo livre, começou a frequentar bares, boates e teatros. Participava de orgias e a agressividade sexual lhe era prazerosa. Não aceitava ingressar em um relacionamento sério com nenhuma mulher.



O Primeiro Crime

Agosto de 1966.
Em uma de suas noites de farra, Francisco conheceu uma boêmia austríaca que era alvo de comentários por parte de alguns amigos. Conversaram por várias horas até que ele a convidou para ir em seu apartamento. Após terem relações, Francisco avançou sobre a vítima tentando estrangulá-la. Ambos caíram no tapete, ela desmaiada. Ele utilizou um cinto para terminar o estrangulamento.

Francisco tinha mania de trancar a porta do banheiro e esconder a chave, para que não o roubassem. Naquele momento, não conseguia encontrar a chave, então desmontou as dobradiças e arrastou a vítima até a peça. Colocou o corpo dela deitado de barriga para cima na banheira e, com uma gilete, retirou seus mamilos, passou a remover as partes moles do corpo, eviscerá-lo e desfeminizá-lo (retirada da pélvis). Virou o corpo de costas, retirou um pedaço das nádegas e dissecou a metade direita das costas. Depositou as partes em um balde.

Depois, saiu para se encontrar com um amigo médico, pois haviam combinado de saírem para jantar naquele dia. Francisco contou a ele que havia uma pessoa morta em seu apartamento e pediu ao amigo que não subisse ou procurasse a polícia. Ele mesmo o faria assim que contasse para sua mãe. Mas, aconselhado por sua companheira e por um advogado, o médico entrou em contato com as autoridades.



A Prisão

No dia seguinte, Francisco ligou para seu amigo, conforme haviam combinado. Por meio do telefonema, os policiais localizaram Francisco e o prenderam, sem que o suspeito apresentasse qualquer resistência.

A cena do crime indicava que eles tiveram relações com o consentimento da vítima, mas que alguma coisa fizera com que ele se descontrolasse e a atacasse. Segundo os peritos, haviam indícios de que ele começara a mutilá-la ainda no quarto. No corpo, foram constatadas mutilações generalizadas, evisceração parcial, ferimentos incisos e perfuroincisos nas partes dorsal e glútea direita, perianal, abdominal, pubiana, torácica, parte anterior do pescoço, coxa esquerda, braço e antebraço esquerdos. Além disso, ela ainda tinha uma atadura cobrindo uma sutura no punho direito, de uma tentativa de suicídio recente.

Francisco alegava não lembrar com exatidão os detalhes do crime. Declarou que ela lembrava fisicamente sua mãe e que o havia rejeitado quando propôs que fizessem sexo anal, fazendo com que ele perdesse o controle.

O acusado foi condenado a vinte anos e seis meses de reclusão. Dezoito deles por homicídio qualificado e dois anos e seis meses por destruição de cadáver.

Enquanto estava preso, cursou o 1º e 2º graus, adquiriu hábitos de leitura e trabalhou diretamente com a diretoria do presídio. Casou-se ali mesmo, com uma amiga que sempre o visitava. Devido ao seu comportamento exemplar, oito anos após o homicídio, foi solto sob condição de apresentar-se a cada 90 dias em juízo.



Novos crimes

Depois de ser solto, Francisco conseguiu um emprego na Editora Abril e voltou para as farras e bebedeiras noturnas. Começaram os desentendimentos com a esposa que, ainda grávida, se separou dele. Separado, Francisco vivia em pensões, usava drogas e não parava em emprego algum. Conheceu uma mulher e a engravidou, sem que assumisse um relacionamento sério com ela.

Setembro de 1976
Na época, Francisco morava de favor na casa de um antigo amigo, que sabia do passado dele.

Ele conheceu uma jovem doméstica de 20 anos, e convidou para ir até sua casa, junto com um outro casal. Lá, tiveram relações sexuais e em determinado momento ele tentou estrangulá-la. Quando voltou a si, ele tentava morder seu pescoço e quando ela se levantou, sangue escorreu por entre suas pernas.

A jovem conseguiu sair viva da casa e instaurou um processo contra ele. O laudo médico constatou que houve agressão no útero por objeto perfurocortante, tentativa de estrangulamento e várias mordidas pelo corpo. Como se não bastasse, a vítima estava no início de uma gravidez e sofreu um aborto com a agressão uterina.

Outubro de 1976
No mês seguinte, na mesma lanchonete onde conheceu a doméstica, conheceu uma prostituta. Ele a levou para casa e, durante as relações, a asfixiou. Apavorado, tentou se livrar do corpo. Como havia feito anos antes, cortou a vítima em pedaços e tentou se livrar de partes dela atirando-as no vaso sanitário. Puxou a descarga e o vaso entupiu.

Passou então a cortá-la em pedaços bem pequenos, lavou-os e colocou-os dentro de sacos plásticos. Depois, dividiu os sacos plásticos em duas malas e as levou até a sacada, onde as deixou. Exausto, foi até sala e dormiu. Por volta das 18:30 acordou e saiu para tomar providências para se livrar das malas. Nesse meio tempo, o amigo com quem Francisco morava chegou no apartamento e encontrou o corpo. Chamou a polícia.

Francisco chegava em casa quando viu o carro levando o cadáver. Fugiu. A única alternativa seria sair do país. Para isso, precisava da ajuda de um outro amigo. Entrou em contato com ele, que prometeu arranjar algum dinheiro e levar para Francisco no dia seguinte. No horário e local combinados, eles se encontraram e, logo após o encontro, Chico foi preso. Até hoje não se sabe ao certo se o amigo o entregou para a polícia.

O acusado foi condenado a 22 anos e 6 meses de prisão. Apesar de já ter cumprido a pena, continua preso até hoje.
 

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